
Quando nasce um bebé prematuro, nasce também uma família que precisa de ser cuidada.
O Share for Care parte de uma ideia simples, mas essencial: cuidar de um bebé prematuro é também cuidar da sua família.
O nascimento prematuro acontece, muitas vezes, de forma inesperada. Num momento que deveria ser de encontro e celebração, podem surgir o medo, a ansiedade, a tristeza, a incerteza e um profundo sentimento de impotência.
Nas Unidades de Neonatologia, enquanto as equipas de saúde se dedicam ao cuidado do bebé, os pais vivem também uma experiência exigente, que precisa de ser reconhecida, escutada e acompanhada.
É neste contexto que nasce o Share for Care.
Uma experiência que se transforma em apoio
O Share for Care aproxima pais que estão atualmente a viver o internamento do seu bebé de Pais XXS que já passaram por uma experiência de prematuridade e que, depois de percorrerem o seu próprio caminho, se disponibilizam para estar ao lado de outras famílias.
São pais que conhecem, por experiência própria, os corredores da Neonatologia, os equipamentos, os sons, as rotinas e, sobretudo, muitas das emoções, dúvidas e desafios que podem surgir quando um bebé nasce demasiado cedo.
Depois de preparados para esta missão, os Mentores XXS regressam às Unidades de Neonatologia onde o programa está implementado para ouvir, acolher e apoiar outras famílias a partir da sua experiência vivida.
Não estão ali para dar respostas clínicas ou substituir os profissionais de saúde.
Estão ali para estar presentes.
Para ouvir.
Para apoiar.
Para criar um espaço de proximidade onde os pais possam falar sobre aquilo que está a viver, ao seu próprio ritmo e sem julgamentos.
Porque não existem duas experiências de prematuridade iguais, a partilha entre pares não procura comparar histórias nem oferecer respostas universais.
Procura criar uma ligação entre quem está a viver o presente e quem já percorreu um caminho semelhante.
Quando a experiência se transforma em cuidado
Para uma família que atravessa o internamento de um bebé prematuro, encontrar alguém que conhece esta realidade pode fazer a diferença.
Pode trazer reconhecimento.
Pode trazer proximidade.
Pode trazer alento.
E pode transformar o sentimento de “estou sozinho nesta experiência” na certeza de que:
“Há alguém que reconhece o que estou a viver e está aqui comigo.”
É esta a força da partilha entre pares.
Uma experiência difícil, depois de vivida e integrada, pode transformar-se numa fonte de apoio para outra família.
O Share for Care valoriza, assim, o conhecimento que nasce da experiência e coloca-o ao serviço de outras famílias, promovendo uma cultura de proximidade, solidariedade, participação e cuidado nas Unidades de Neonatologia.
Pais como parte dos cuidados
O Share for Care reconhece que os pais são parte essencial dos cuidados ao bebé.
Por isso, cuidar de um bebé prematuro implica também olhar para quem está ao seu lado: reconhecer as necessidades dos pais, criar espaço para a sua participação e garantir que também eles encontram apoio ao longo do internamento.
Esta abordagem está alinhada com os European Standards of Care for Newborn Health, que defendem que as necessidades sociais e de saúde mental das famílias devem ser apoiadas e que os cuidados neonatais devem incluir, entre outros, apoio psicossocial e apoio entre pares através de associações de pais. (ESCNH)
A Organização Mundial da Saúde reforça igualmente a importância do envolvimento e apoio às famílias dos bebés pré-termo ou de baixo peso, recomendando que esse apoio comece ainda durante o internamento e continue após a alta, podendo incluir educação, aconselhamento, preparação para a alta e apoio entre pares. (Iris)
Atualmente, o Share for Care conta já com grupos de Mentores XXS formados em 11 Unidades de Neonatologia em Portugal, criando uma rede de proximidade e apoio entre famílias.
Através dos Encontros XXS de Pais para Pais, realizados nas próprias Unidades de Neonatologia, os Mentores XXS regressam ao lugar onde um dia viveram a experiência da prematuridade para estar ao lado de outras famílias.
Porque nenhuma família deveria viver a prematuridade sozinha.
