Apesar de ser difícil determinar a causa exacta de um parto prematuro, os riscos são maiores para mulheres com antecedentes maternos, incluindo mulheres que já tiveram um parto prematuro e mulheres com anomalias no útero ou no colo do útero. Podem verificar-se também causas relacionadas com a própria gravidez, incuindo complicações de saúde e gravidezes múltiplas. Por último, existe uma série de outros factores que podem estar na origem de um parto prematuro, nomeadamente determinados estilos de vida ou factores ambientais (excesso de trabalho e stress materno, má nutrição por parte da mãe, hábitos pouco saudáveis e consumo de tabaco, álcool e drogas, violência doméstica e acidente por impacto e carências sociais e económicas).

Actualmente, o diagnóstico pré-natal revela-se um excelente instrumento que permite detectar não só problemas maternos mas, também, problemas do próprio feto. Sempre que possível, este controlo permite identificar e solucionar eventuais anomalias detectadas.

Conceptualmente, a prevenção do parto pretermo pode ser dividida em 2 áreas:

1) Na redução dos factores de risco presentes e na melhoria da qualidade de vida, incluindo repouso e nutrição, redução do stress físico e emocional. No entanto, esta estratégia, utilizada há alguns anos em países desenvolvidos, não se mostrou eficaz para a diminuição de incidência do parto pretermo. Apesar da redução da actividade física ser apropriada para algumas grávidas com risco de parto prematuro, não há evidência de que o repouso completo resulte numa redução da incidência de prematuridade.
2) Na detecção precoce do início do parto: contracções e alterações do colo do útero. Para isso, elaboraram-se programas educacionais dirigidos à grávida, vigilância médica dirigida às modificações do colo, ou vigilância das contracções no domicílio por meios tecnológicos. Nenhuma destas medidas teve o sucesso esperado, pois os sintomas iniciais podem ser muitas vezes ténues e as contracções podem não ser percebidas até uma fase relativamente avançada do processo.
Actualmente a ecografia para medição do colo uterino e análises bioquímicas, podem aumentar a capacidade de detecção e ajudar a determinar a importância de cada patologia para o risco de um parto prematuro.

Uma das decisões difíceis de um obstetra consiste em determinar se uma grávida com sinais iniciais de parto prematuro está realmente em trabalho de parto. Estudos confirmam que cerca de 50% das grávidas com uma situação de ameaça de parto prematuro irão ter o parto a termo. Por esta razão, é tradicionalmente feita uma observação durante várias horas (internamento de curta duração) e avaliada a necessidade de terapêutica ou possibilidade da grávida poder regressar a casa.

As terapêuticas actuais têm como objectivos:

Corrigir precocemente as anomalias detectadas (por exemplo, tratamento das infecções, malformações uterinas)

Inibir ou reduzir a intensidade e frequência das contracções a fim de atrasar o parto

Optimizar o estado geral do feto antes do nascimento

No futuro, um melhor conhecimento acerca dos mecanismos envolvidos no parto prematuro conduzirão a novas condutas e terapêuticas. Até que novas estratégias sejam encontradas, os esforços são concentrados na prevenção das complicações neonatais usando corticóides para acelerar a maturidade pulmonar fetal, antibióticos para prevenir determinadas infecções e na conduta criteriosa para um parto não traumático. É também fundamental que o parto prematuro se realize num centro hospitalar preparado com tecnologia adequada e equipas experientes neste tipo de situação.

Fonte: “Nascer prematuro – Um manual para os pais dos bebés prematuros”, Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria (2007)