É muito raro estar-se preparado(a) para o nascimento de um bebé prematuro. Apenas na gravidez gemelar se espera uma gravidez mais curta.

Apesar da investigação intensa e dos enormes progressos na Medicina, ainda não são hoje completamente conhecidos os mecanismos que causam o parto pré-termo.

A incidência de parto pré-termo varia de país para país, de raça para raça e nos países mais industrializados até aumentou ligeiramente. Uma das razões para que tal aconteça é o avanço da tecnologia médica que, actualmente, permite que possam nascer e sobreviver bebés que, há alguns anos atrás, não teriam tido essa possibilidade. Por outro lado, o melhor domínio e compreensão de algumas doenças crónicas permitiu que hoje possam ser mães mulheres que anteriormente, pela patologia que têm, não teriam tido possibilidade de levar a cabo uma gravidez até à viabilidade do feto.

A duração normal de uma gravidez é de 37 a 42 semanas. Quando os bebés nascem antes das 37 semanas de idade gestacional, então estamos perante um bebé prematuro ou pré-termo.

O parto pré-termo é um síndrome complexo em cuja génese são conhecidos múltiplos factores de risco, há já evidência de que estão implicados factores bioquímicos, imunológicos, histopatológicos e anatómicos.
O início do parto pretermo é:
• Espontâneo em 20 a 30 % dos casos
• Ocorre após ruptura de membranas (bolsa de águas) em 30 a 40% dos casos
• Medicamente indicado em 35 a 40% dos casos por razões que envolvem riscos para a mãe e para o bebé

Normalmente, a prematuridade induzida é resultado de um contexto de hipertensão arterial severa, de um atraso de crescimento grave ou de hemorragias da mãe.

É bem conhecida a associação de alguns factores de risco ao parto pré-termo:

1) Antecedentes maternos
• Problemas ginecológicos, tais como malformações uterinas, fibromiomas ou Insuficiência cervicial (fraqueza do colo do útero)
• Antecedentes de partos pretermo anteriores ou abortos de repetição
• Idade da mãe (menor de 18 anos e maior de 35 anos)

2) Causas relacionadas com a gravidez
• Hipertensão arterial e suas complicações
• Hemorragias vaginais
• Ruptura prematura de membranas (rebentamento das águas)
• Trabalho prematuro espontâneo
• Atraso de crescimento intra-uterino
• Infecções urogenitais ou sistémicas (pneumonia, pielonefrite ou apendicite aguda)
• Diabetes
• Malformações do feto
• Técnicas de reprodução assistida que resultam em gravidez múltipla
• Acompanhamento pré-natal inexistente ou tardio

3) Outros factores
• Stress materno crónico
• Má nutrição por parte da mãe
• Hábitos pouco saudáveis e consumo de tabaco, álcool e drogas
• Violência doméstica e acidente por impacto
• Carências sociais e económicas

Existem 5 grandes situações clínicas que dão origem a um parto prematuro antes das 33 semanas de gestação:
• Hipertensão arterial e suas complicações, em 20% dos casos.
• Hemorragias, em 20% dos casos.
• Ruptura prematura de membranas, em 25 a 35% dos casos.
• Trabalho de parto espontâneo, em 25 a 30% dos casos.
• Atraso de crescimento intra-uterino.

a) Hipertensão arterial e suas complicações
Falamos de hipertensão quando a pressão arterial sistólica é >= 140 mmHg e/ou a pressão arterial distólica é >= 90 mmHg. É habitual distinguir entre as mulheres que têm uma hipertensão que já existia antes da gravidez daquelas que desenvolvem uma hipertensão pela primeira vez durante a gravidez.

A hipertensão arterial pode complicar-se noutras patologias, entre as quais:
• Pré-eclampsia: a hipertensão arterial está associada à presença de proteínas na urina que revelam anomalias ao nível renal.
• Eclampsia: trata-se de uma complicação mais grave da hipertensão arterial durante a gravidez e manifesta-se por convulsões que revelam sofrimento ao nível cerebral.
• Síndrome HELLP: representa também uma complicação grave da hipertensão arterial durante a gravidez e manifesta-se por alterações hepáticas, uma destruição de glóbulos vermelhos e de plaquetas sanguíneas.
• Hematoma retro-plancetar: trata-se do descolamento prematuro da placenta acompanhado de um hematoma.

b) Hemorragias
São sangramentos abundantes que colocam em risco a mãe e o bebé. Incluem normalmente:
• Placenta prévia: trata-se de uma placenta mal inserida (a placenta está totalmente alojada sobre o colo do útero) que pode complicar-se numa hemorragia.
• Hematoma retro-plancetar: pode resultar duma associação com hipertensão mas manifestar-se também em mulheres que não sofrem de qualquer doença hipertensiva.
• Outras hemorragias do 3º trimestre de gravidez em que a sua origem não é identificada.

c) Ruptura prematura das membranas
Trata-se de um rebentamento das águas antes do termo da gravidez e do ínício do trabalho de parto. Uma das explicações para este rebentamento antecipado pode ser uma infecção. Cerca de 1/3 das rupturas prematuras de membranas estão associadas a infecções intra-uterinas. Outros factores como as condições sócio-económicas desfavoráveis ou o consumo de tabaco podem estar também implicados.

d) Trabalho de parto espontâneo
Corresponde ao início do trabalho de parto antes do termo normal de uma gravidez (37 semanas de gestação) e em que as membranas ainda se encontram intactas. O papel das infecções é fortemente suspeito. Pelo menos 15% das mulheres que dão à luz na sequência de um trabalho de parto espontâneo são portadoras de um infecção uterina. Outros eventos ligados a condições de vida difíceis e o stress poderão estar também implicados.

e) Atraso de crescimento intra-uterino
Corresponde a um peso à nascença demasiado baixo para a idade gestacional. O atraso de crescimento é geralmente diagnosticado através das ecografias efectuadas durante a gravidez e está, em parte, relacionado a anomalias de vasculatização entre o útero e a placenta. As trocas entre a mãe e o feto não se dão em boas condições e os aportes nutricionais e o oxigénio tornam-se insuficientes, o que faz com que os riscos para o feto sejam significativos.
É neste contexto que as equipas médicas são levadas a provocar um parto prematuro, normalmente por cesariana.

É frequente ver a hipertensão arterial associada a um atraso de crescimento intra-uterino. Outras causas podem estar relacionadas com doenças do feto (malformações ou doenças genéticas). No entanto, em grande parte dos casos não é possível identificar as causas.

Fonte: “Nascer prematuro – Um manual para os pais dos bebés prematuros”, Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria (2007); www.prematuros.info; www.aboutkidshealth.ca